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03 Julho 2017

O Papa Francisco muda o Prefeito da Congregação da Fé. O cardeal alemão Gerhard Ludwig Müller deixará o cargo. Foi-lhe oferecido um outro cargo mas, parece, que o cardeal não aceitou (ele completará, em dezembro, 70 anos de idade) e deverá voltar para a Alemanha, retirando-se para a vida privada.

A informação é de Maria Antonietta Calabrò, publicada por Huffington Post,  30-06-2017. A tradução e edição é de IHU On-Line.

A notícia foi publicada, hoje, na página eletrônica National Catholic Register, dirigido por Edward Pentin, um ardoroso adversário do Papa Bergoglio. “Cardeal Müller vai se demitir?” é o título da matéria. No subtítulo lê-se que Müller não quis renovar o seu mandato por mais cinco anos.

O cardeal Müller foi nomeado por Bento XVI e o seu primeiro quinquênio termina na segunda-feira, dia 2 de julho. Francisco não teria a intenção de renovar o seu mandato para um dos mais importantes dicastérios da Cúria romana, que foi dirigido pelo próprio Ratzinger durante o pontificado de Wojtyla.

Müller e Papa Francisco são de duas linhas opostas nas questões sobre a família, debatidas nos dois Sínodos sobre a família de 2014 e 2015 e sobre a Exortação Apostólica Amoris Laetitia, de 2016. Realmente, Müller era, no interior da Cúria, o porta-voz dos cardeais dos “dúbia. O papa transferira, recentemente, três colaboradores do agora ex-Prefeito do Santo Ofício.

A notícia deveria ser publicada com um comunicado da Santa Sé, na próxima segunda-feira, dia 2 de julho. Mas foi antecipada, em italiano,  pelo sítio tradicionalista “Corrispondenza romana”, do professor Roberto De Mattei.

Sobre a decisão de mudar o Prefeito da Congregação da Fé pesou decisivamente também a questão da pedofilia e a difícil relação com a Comissão Pontifícia para a proteção dos menores, sob a direção do cardeal O’Malley, de Boston.

A sobrevivente de abuso sexual Marie Collins, (nomeada por Francisco para a Comissão) se demitiu no dia 1º de março deste ano e alegou, publicamente, que o motivo eram as dificuldades colocadas pela Congregação dirigida por Müller. O cardeal respondeu às críticas de Collins com uma entrevista extremamente dura, publicada pelo jornal Corriere della Sera.

Assim, em dois dias, ainda que por motivos totalmente diferentes, deixam a Cúria os dois cardeais acusados pelos sobreviventes dos abusos sexuais que faziam parte de Comissão para a proteção dos menores: o cardeal Pell, acusado pelo inglês Peter Saunders, em 2016, e o cardeal Müller.

O sucessor de Müller poderá ser anunciado logo ou depois das férias europeias de verão.

Segundo National Catholic Register, os possíveis sucessores de Müller são: o arcebispo Luis Francisco Ladaria Ferrer S.J., atual secretário da Congregação da Fé, o cardeal Christoph Schönborn, arcebispo de Viena, o arcebispo Bruno Forte, de Chieti-Fasto, que foi secretário especial do Sínodo dos Bispos sobre a Família.

Em todo o caso, com Müller, inicia-se uma nova rotatividade dos prefeitos dos dicastérios, um sinal que Francisco, apesar de tudo, vai avançando na sua estrada.

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